segunda-feira, 21 de março de 2016

Brasil república Brasília, Reforma agrária, Golpe militar 0608

DOSSIÊ DE HISTÓRIA – TEXTO 02 – 21março2016 – 1º SEMESTRE 2016. (publicado em 2009 - Revista História Viva – ano VII nº 73 – páginas 30/33).

DOSSIÊ DE HISTÓRIA – TEXTO 02 – 21março2016 – 1º SEMESTRE 2016.
(publicado em 2009 - Revista História Viva – ano VII nº 73 – páginas 30/33).

·         República: 120 anos – 2 golpes – 1 revolução – 15 militares no comando – 27 civis no poder – 7 presidentes sem votos – 4 depostos -9 eleições indiretas – 20 diretas – 6 chefes da nação mortos – 71 anos de governos eleitos pelo povo – 49 anos de governos indicados por minorias – 21 anos de regime militar.

·         Sua majestade O PRESIDENTE – A história do Brasil tem sido a crônica de um controle férreo exercido pelo poder central. O golpe de Estado é a prática de negar os direitos públicos apreendida na era do absolutismo.

                O nosso estado é absolutista, movido a golpes políticos e militares que nos afastam da ordem democrática. O golpe inaugural foi cometido por D. Pedro I, em 12 de novembro de 1823. Sua quartelada fechou a Assembleia Constituinte e mostrou que os representantes do povo tinham importância quase nula.
                A República se instaurou com outro golpe, em de 15 de novembro de 1889. E temos o golpe de Getúlio Vargas e o Estado novo, com garantia jurídica do político e jurista Francisco campos, imitador do nazista Carl Schmitt, conhecido como “jurista maldito”, dado que pôs seu conhecimento em direito constitucional a serviço do nacional-socialismo alemão. O mesmo campos legitimou o golpe de 1964 e redigiu parte do Ato institucional nº 01, por meio do qual a ditadura que se iniciava cassou e suspendeu os direitos políticos de quem se opunha á autoproclamada “Revolução”.
                Os Grandes golpes tornaram possíveis os pequenos, mudanças imperceptíveis no direito dos indivíduos, grupos econômicos e sociais. Os “planos econômicos”, por exemplo, apresentaram as características apontadas por Gabriel Naudé, defensor do absolutismo maquiavélico, na obra Considerações políticas sobre o golpe de estado de 1640.
                Segundo Naudé, nos golpes tudo é invertido em relação à normalidade. O autor indica que neles o efeito precede a causa, e o espaço não se produz: “Nos golpes de Estado, vemos a tempestade cair antes dos trovões; as matinas são ditas antes que o sino toque; a execução precede a sentença; (...) um indivíduo recebe o golpe que imaginava dar, outro morre quando pensava estar seguro, um terceiro recebe o golpe que não esperava; tudo ocorre à noite, no escuro e entre trevas.”.
                O golpe inverte os valores jurídicos, religiosos, morais. Tudo se faz naqueles atentados ao direito público, de trás para frente. Os planos econômicos brasileiros seguem o mesmo padrão: quando a cidadania abre os jornais, de manhã, o “pacote” está consumado. Sem defesa possível.
                Essa é uma prática em países que não romperam com o moderno absolutismo. Neles, o Parlamento serve apenas para registrar os ditames do governo. As taxas e “contribuições voluntárias” são impostas sem que se possa contestá-las. A justiça faz ouvidos moucos aos reclamos.
                Nos países democráticos, as mudanças se iniciaram em revoluções cuja origem é o protesto contra impostos abusivos. É o caso da Inglaterra no século XVII e dos Estados Unidos e da França no século XVIII. O Estado Brasileiro nasceu para impedir, em Portugal e no Brasil, tais movimentos e transformações democráticas. Somos um Estado absolutista anacrônico, o contrário da modernidade cidadã.
                INDEPENDÊNCIA – o Brasil independente surgiu com um golpe contrário às modernas conquistas liberais. Os fatos políticos dos séculos XVII e XVIII, como a Revolução Inglesa, a Revolução Francesa e a independência estadunidense seriam episódios de anarquia, na visão de conservadores. Urgia, assim, afastar a “ameaça democrática”. Na época se inventou uma fórmula para impedir a soberania do povo e de sua representação política: o Poder Moderador.
                Essa forma de poder foi imaginada por Benjamin Constant, um liberal francês. O Poder Moderador deveria ser neutro e exercido pelo rei. Ele acreditou que isso impediria o despotismo do legislativo e atenuaria as pretensões do Executivo, garantindo o Judiciário.
                No Brasil, depois da independência, os que desejavam um poder representativo e constitucional conseguiram em 1822, a convocação da Assembleia. Sugiram, porém, dois projetos conflitantes: o da monarquia soberana, defendido por José Bonifácio, e o de um governo constitucional, por José Clemente da Cunha.
                Foi quando D. Pedro I foi aclamado, Bonifácio enfatizou a supremacia do imperador, venceu Clemente, e o Império foi instituído por direito divino. O novo governo admitiu a liberdade política, mas sob a égide de um monarca.
                Em 1823, o político e diplomata José J. Carneiro de Campos, ao discutir a sanção do soberano, apresentou a ideia do Poder Moderador. A constituição de 1824 incorporou a tese e o imperador ganhou o poder de dissolver a Câmara de deputados. Com o Judiciário sem autonomia, ficou estabelecido que o soberano estava acima dos poderes.
                Em resumo, o Poder Moderador no Brasil seguiu rumo à ditadura de um chefe de Estado, em que o “povo”, tal como em Portugal, era a aristocracia e o rico proprietário sem sangue judeu, com direito a voto, mas sem presença ativa na esfera pública. “Cidadão”, no caso, era título que não cabia aos pobres e aos escravos.
                Essa realidade manteve-se durante o império, incluindo o tempo de regência, quando o país passou por levantes sufocados de norte a sul. A permanente revolta e as necessidades do poder central definiram a concentração de poderes que até hoje molesta o país. Tem-se ainda uma federação na qual os estados possuem pouco autonomia, sobretudo em matéria fiscal. O parlamento brasileiro não defende o contribuinte, mas os interesses oligárquicos.
                Com o fim do Império, os positivistas te4ntaram derrotar as forças liberais e apresentaram seu próprio conceito de ditadura. Nela, se acentuou preponderância do Executivo sobre o legislativo e se concentrou o poder diretor em uma única pessoa. Falar em Legislativo, nessa doutrina, é um erro, pois, a Assembleia só teria função fiscal: aprovar o orçamento.
REPÚBLICA: As prerrogativas do Poder Moderador foram incorporadas à presidência do país a partir da República. Com elas, vem a permanente pretensão dos ocupantes daquele Cargo a assumir, como imperadores temporários, a hegemonia sobre os demais poderes.
Não por acaso Carl Schmitt, o jurista do nazismo, referiu-se ao nosso Poder Moderador em seu livro O protetor da Constituição. Schmitt negou que o Judiciário possa exercer aquele papel, por que é idêntico a normas e age sempre depois, na correção dos desvios e fraturas institucionais. O estudo desse caso, importante na história dos poderes soberanos e da conexão teórica entre o que se passou na Alemanha e no Estado brasileiro, pode explicar o nosso centralismo excessivo, a quase inexistente federação, os poderes da presidência.
O Poder Moderador era vitalício e hereditário. Uma presidência republicana, mas imperial, limitara por quatro anos, sobre a tentação de pressionar o Congresso para que esse faça ou aprove leis favoráveis às urgências do Executivo. De modo idêntico vêm as pressões sobre o judiciário, para que reconheça a legitimidade das mesmas leis.
                Dificilmente o nosso Estado e sociedade entrariam, portanto, na qualificação de formas democráticas. A história do Brasil, do início até hoje, passando pela Revolução Constitucionalista de São Paulo, em 1932, tem sido a crônica de um controle férreo exercido pelo poder central. É como se cada estado, sobretudo os que se levantaram em armas (Rio Grande do Sul, Pernambuco, Pará, Bahia e São Paulo) fosse submetido à invasão permanente dos que dirigem o todo nacional.
E o invasor leva o butim: aproximadamente 70% dos impostos seguem para os cofres federais. Do Oiapoque ao Chuí, ocorre uma uniformização que resulta em enorme burocracia federal. A mão de ferro de Brasília controla, dirige, pune e premia os estados, segundo sustentem os interesses da presidência. A concentração de poderes deixa regiões e municípios à mingua de recursos.
No Império, ao chefe de Estado são atribuídos privilégios imperiais, o que atenua a autonomia dos demais poderes, incluindo o Judiciário. E sem juízes independentes temos a ditadura do Executivo, sob perene chantagem do Legislativo.
Neste ambiente instável a cultura do golpe de Estado não está afastada. Ela apenas substitui temporariamente alguns de seus operadores; sai a dupla formada por soldados e juristas, fica o par integrado pelos políticos e... os mesmos juristas. Atores e cenários são idênticos, dos canhões usados por D. Pedro aos recentes atos secretos do Senado, que marcam efetivos estupros da Carta Magna.
O golpe de Estado é prática, aprendida na era do absolutismo, de negar os direitos públicos. Nesta arte, o Brasil é mestre.
(ROBERTO ROMANO).
































quinta-feira, 17 de março de 2016

Xamanismo

Religiões - Introdução

Grandes Celtas - Asterix, Merlin, Boudicca, Vercingetórix

Zoroastrismo e a influencia no cristianismo e em outras religiões.

Primeira Guerra Mundial - parte 1

História - Aula 10 - Motivos da 1ª Guerra Mundial

O INÍCIO DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL PARTE 1

sexta-feira, 11 de março de 2016

Manos e Minas - Edvaldo Santana - se liga aí!

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se liga aí.se l

Nego Jorge Ghezo: AFRICA - BANTOS E SUDANESES

Nego Jorge Ghezo: AFRICA - BANTOS E SUDANESES

DOSSIÊ (1º) PRIMEIRO SEMESTRE 2016 – TEXTO 01

Queridos alunos, segue o primeiro texto do nosso Dossiê de História. conforme acordado, as tarefas relativas ao texto entregarei em sala de aula, a partir da terça-feira 15 de março. Grato; Professor José Jorge.


DOSSIÊ PRIMEIRIO SEMESTRE 2016 – TEXTO 01

A INTERNET - A INFORMAÇÃO GLOBALIZADA DO SÉCULO XXI

Na década de 1960, em plena Guerra Fria, a U.S. Force encarrega um pequeno grupo de pesquisadores e criar uma rede de comunicação que possa resistir a um ataque nuclear. Quase
30 anos depois, em 1989, assiste-se ao primeiro esboço da web...

            1989 - A Internet, que revolucionou o mundo da informação e das comunicações, atinge na virada do século XXI um grau de globalização sem precedentes. Novas tecnologias abrem a perspectiva de um acesso ilimitado á rede das redes.

Concebida para o exército, ela vai seduzir os pesquisadores...

            Contração de internetworks of networks, a internet se desenvolveu inicialmente nos Estados Unidos, a partir de 1969, sob o estímulo do departamento de Defesa (rede arpanet). No curso dos anos 1960, o Exército estadunidense procura desenvolver um sistema de comunicações para interconectar seus computadores, a fim de permitir o acesso a eles de diferentes localidades. O conceito dessa rede repousa sobre um sistema descentralizado; assim, se uma ou várias máquinas são destruídas, a rede se converte rapidamente em uma ferramenta de trabalho para os cientistas de diferentes universidades dos Estados Unidos. No âmbito da rede da National Science Foundation (NSFnet) realiza-se a primeira conexão entre os computadores de dois institutos de pesquisa estadunidense.

...antes de conquistar o grande público...

            Em 1989, assiste-se ao primeiro esboço da web – a teia de Aranha Mundial – no cern (Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear) de Genebra, na Suíça, notadamente sob a direção do britânico Tim Berners-Lee. É com a definição de um protocolo de comunicação – transmission control Protocol/Internet Protocol (TCP//P) para a conexão e troca de dados entre diferentes redes que nasce verdadeiramente a internet, que vai conquistar o grande público na segunda metade dos anos 1990. A partir de 1994, a internet torna-se o instrumento de comunicação padrão em numerosas universidades e entidades governamentais em todo o mundo. Em 1995, assiste-se ao aparecimento de novas tecnologias concebidas especificamente para a internet, como o Java (criado por James Gosling e desenvolvido pela Sun Microsystem) ou o ActiveX (desenvolvido pela Microsoft em resposta ao Java...). No ano seguinte, a guerra dos navegadores grassa entre a Microsoft (Internet Explorer) e a Netscape. Hoje, a internet, rede de redes, permite a comunicação entre milhões de pessoas, através do mundo e o acesso a quantidades fenomenais de informação.

Quando a web traça sua teia...

            A Web (do inglês World Wide Web, “rede em escala mundial”) permite consultar documentos multimídia compostos de textos, sons, imagens, animações ou vídeos, denominados “paginas d web”, armazenados em servidores em alguma parte da internet. Para consultar uma página, introduz-se num navegador web web o nome do servidor, o dossiê em que se encontra a página e o nome desta última (por exemplo, www.site.comlaccuel). No interior das páginas, encontram-se links com outras páginas, que se pode consultar com um simples clique do mouse; os milhões de páginas da web e os links entre essas páginas constituem, como a internet, uma verdadeira rede mundial. A web tornou-se também o principal veículo do comércio eletrônico (ou e-commerce).



A conexão: como estar “logado”
           
            Os computadores pessoais se conectam habitualmente com a internet por via de um modem, que converte a informação emitida pelo computador com destino a computadores distantes. Um software estabelece o contato por meio da empresa que fornece a conexão com a rede (fornecedor de acesso à internet ou FAI). O usuário é “conectado à internet” depois que o servidor do FAI verifica sua identidade. Os servidores da FAI estão, eles próprios, conectados, por via de redes de cabo ou de fibra óptica, com os servidores de outros fornecedores de acesso, aos quais estão conectados outros usuários, etc. A internet assemelha-se assim a uma rede gigantesca que liga entre si uma infinidade de computadores.
            Para que esses milhões de computadores possam trocar dados, é essencial que utilizem protocolos comuns: assim, os navegadores da web utilizam o protocolo http (hiper Text Transport Protocol) para comunicar-se com os servidores da web, e os softwares do correio eletrônico, o protocolo SMPT (Simple Mail Transfer protocol) para enviar os e-mails.

Cada vez mais fluxo.
           
            O tamanho crescente dos arquivos trocados (várias centenas de milhões de bytes) pode suscitar problema em relação ao fluxo limitado dos “canais” que veiculam as informações na internet, estimulando a atração por modos de conexão com maior fluxo, como a ADSL (asymetric Digital subscriber Line), as redes de televisão a cabo ou as tecnologias sem fio (WiFi, Wireless Fidelity). Os downloads multimídia tornam-se possível nos telefones móveis, que se tornaram verdadeiros terminais graças às novas tecnologias de telecomunicação (GPRS, UMTS). Hoje é possível conectar-se à rede das redes em todos os continentes, nas regiões mais remotas.

Correio Eletrônico e Chat.

            O correio eletrônico, ou e-mail, permite enviar e receber mensagens – os e-mails – ou arquivos. A correspondência é armazenada numa caixa postal eletrônica, no servidor de correspondência, à espera que o destinatário se conecte para recebê-la. Se o correio eletrônico já substituiu em parte as tradicionais cartas e cartões-postais ou, nas empresas, por intermédio da intranet, as notas de serviço, isso não deixou de apresentar problemas. De um lado, levanta-se a questão da validade jurídica desse gênero de trocas, que podem ser desviadas com toda a facilidade. Por outro lado, o correio eletrônico sofre frequentes ataques de vírus informáticos ou fica saturado pela avalanche de correspondência indesejável (spams)
            Para estabelecer conversações interativas, é o “chat”  (palavra que significa “conversa”). A extensão do chat ao som e ao vídeo permite um verdadeiro diálogo à distância.

Fonte: Coleção Invenções da humanidade – vol. 03 (Do telefone à clonagem animal) – páginas 342/343 – Editora Larousse).










quarta-feira, 9 de março de 2016

BBC] Racismo Científico Darwinismo Social e Eugenia [DUBLADO]

Brasil: Uma História Inconveniente

Irmãos Villas Bôas - A Marcha Para o Oeste- - Primeiros Contatos Com Os ...

Documentário - Índios no Brasil [serie completa - 2 hs 57 min]

Índios Tupi Guarani

TU TU TU TUPI - Hélio Ziskind e a Turma do Cocoricó- Coisa de Índio...

Nana, Nelson Angelo, Novelli (1974) [Full Album] [HD]

terça-feira, 8 de março de 2016

A História do Racismo e do Escravismo (BBC).

Dia internacional da Mulher - origem

Feminismo

Por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher?

Funcionárias do Instituto de Resseguros do Brasil, primeira empresa no Brasil a ter uma creche para filhos das funcionárias. Foto: Divulgação.
Funcionárias do Instituto de Resseguros do Brasil, primeira empresa no Brasil a ter uma creche para filhos das funcionárias. Foto: Divulgação. CLIQUE PARA AMPLIAR
As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.

Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

"O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países", explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília e doutoranda em História Cultural pela Universidade de Campinas (Unicamp).

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.
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