quarta-feira, 26 de abril de 2017

IDH NO BRASIL

IDH NO BRASIL
GEOGRAFIA DO BRASIL
O Brasil possui um IDH de 0,699 e atualmente ocupa o 73° lugar no ranking mundial.


Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um dado utilizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para analisar a qualidade de vida de uma determinada população. Os critérios utilizados para calcular o IDH são:
Grau de escolaridade: média de anos de estudo da população adulta e expectativa de vida escolar, ou tempo que uma criança ficará matriculada;
Renda: Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, baseada na paridade de poder de compra dos habitantes. Esse item tinha por base o PIB (Produto Interno Bruto) per capita, no entanto, a partir de 2010, ele foi substituído pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, que avalia praticamente os mesmos aspectos que o PIB, no entanto, a RNB também considera os recursos financeiros oriundos do exterior;
Descrição: https://t.dynad.net/pc/?dc=5550003220;ord=1493205222209Descrição: https://t.dynad.net/pc/?dc=5550003219;ord=1493205223481Descrição: https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001579;ord=1493205242319
Nível de saúde: baseia-se na expectativa de vida da população, reflete as condições de saúde e dos serviços de saneamento ambiental.
O Índice de Desenvolvimento Humano varia de 0 a 1, quanto mais se aproxima de 1, maior o IDH de um local.
De acordo com dados divulgados em novembro de 2010 pela ONU, o Brasil apresenta IDH de 0,699, valor considerado alto, e atualmente ocupa o 73° lugar no ranking mundial. A cada ano o país tem conseguido elevar o seu IDH, fatores como aumento da expectativa de vida da população e taxa de alfabetização estão diretamente associados a esse progresso.
No entanto, existem grandes disparidades sociais e econômicas no Brasil. As diferenças socioeconômicas entre os estados brasileiros são tão grandes que o país apresenta realidades distintas em seu território, o que torna irônica classificar o país com alto Índice de Desenvolvimento Humano.
Obs.: Em novembro de 2010, a ONU, a partir dos novos critérios de cálculo, divulgou uma lista de IDH dos países. Porém, esse novo método ainda não foi aplicado para o cálculo dos estados brasileiros. Agora veja os dados divulgados em 2008 pelo Pnud:
1° - Distrito Federal – 0,874
2° - Santa Catarina – 0,840
3° - São Paulo – 0,833
4° - Rio de Janeiro – 0,832
5° - Rio Grande do Sul – 0,832
6° - Paraná – 0,820
7° - Espírito Santo – 0,802
8° - Mato Grosso do Sul – 0,802
9° - Goiás – 0,800
10° - Minas Gerais – 0,800
11° - Mato Grosso – 0,796
12° - Amapá – 0,780
13° - Amazonas – 0,780
14° - Rondônia – 0,756
15° - Tocantins – 0,756
16° - Pará – 0,755
17° - Acre – 0,751
18° - Roraima – 0,750
19° - Bahia – 0,742
20° - Sergipe – 0,742
21° - Rio Grande do Norte – 0,738
22° - Ceará – 0,723
23° - Pernambuco – 0,718
24° - Paraíba – 0,718
25° - Piauí – 0,703
26° - Maranhão – 0,683
27° - Alagoas – 0,677
Analisando o ranking, as diferenças socioeconômicas no país ficam evidentes, sendo as regiões Sul e Sudeste as que possuem melhores Índices de Desenvolvimento Humano, enquanto o Nordeste possui as piores posições. Nesse sentido, torna-se necessária a realização de políticas públicas para minimizar as diferenças sociais existentes na nação brasileira.

Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola


quinta-feira, 6 de abril de 2017

DOSSIÊ DE HISTÓRIA – TEXTO 08 SEGUNDOS E TERCEIROS ANOS – 06 DE ABRIL DE 2017. ATENÇÃO: ESSE TEXTO DE NÚMERO 08 É COMPOSTO PELOS DOIS TEXTOS.

DOSSIÊ DE HISTÓRIA – TEXTO 08
SEGUNDOS E TERCEIROS ANOS – 06 DE ABRIL DE 2017.

ATENÇÃO: ESSE TEXTO DE NÚMERO  08 É COMPOSTO PELOS DOIS TEXTOS ABAIXO.
1. Não ao assédio sexual
(Editorial Correio Braziliense – 06abril2017

“Mexeu com uma, mexeu com todas” não é só um slogan da hora que condena o assédio sexual de um ator a uma figurinista. A advertência, que vai muito além do lamentável episódio, vale para todos os casos em que as mulheres são molestadas. Trata-las como objeto é coisa de um passado distante. O machismo e o patriarcalismo perderam espaço na sociedade.
O homem que se sente proprietário do sexo oposto é equivocado, desrespeitoso e, no fim das contas, um ser violento. Míope, não enxerga as transformações sociais e ignora os avanços alcançados na luta pela equidade de gênero – grande parte contemplada pela atualização das leis do país. O homem moderno e esclarecido divide com a mulher a construção e uma sociedade com menos desigualdade.
            A arrogância e a prepotência de muitos homens fazem com que persistam situações nas quais as mulheres têm sido vítimas de constrangimentos no metrô, no ônibus, no trabalho, nas ruas, nas festas. Nada mais extemporâneo. Hoje, as mulheres não estão dispostas a tolerar o assédio verbal que, com frequência, evolui para o físico e, se nada for feito, chega ao extremo da violência sexual.
Denunciar nas instâncias adequadas (delegacias de polícia e justiça) não é mais reação eventual. A Central de Atendimento à Mulher (Disque 180), do Ministério da Justiça, recebeu, em 2015, 749.024 denúncias – percentual 50% superior ao ano anterior – sendo 6,24% de assédio sexual no local de trabalho, 15,24% de exploração sexual e 78,52% de estupro.
O setor público ainda segue em ritmo lento para recepcionar e dar as respostas esperadas pelas vítimas. As delegacias especializadas não dispõem de material humano suficiente e capacitado para atender às queixas das mulheres que são violentadas nas ruas, ou no transporte coletivo, ou dentro de casa. A demanda cresce porque elas estão cientes dos seus direitos, mais desinibidas e dispostas a fazer valer o que diz a lei.
Como mães, têm a capacidade de educar os filhos dentro de uma cultura antimachista na qual o respeito ao outro é um dos principais pilares das relações humanas, independentemente do sexo condição socioeconômica, credo ou etnia. Os homens modernos e bem-educados sabem disso e se colocam como parceiros para a mudança. Mas é fundamental que, ao lado da educação, as sanções penais sejam aplicadas aos que agem com base em valores que prevaleciam no século 16 e não cabem na contemporaneidade.
           

1.      Assédio.
2.      Machismo.
3.      Molestar.
4.      Patriarcalismo.
5.      Equidade.
6.      Extemporâneo.
7.      Demanda.
8.      Antimachismo.
9.      Etnia
10.  Sanção.
11.  Contemporaneidade.


2. Escola sem partido
(Severino Francisco – Correio Braziliense – Crônica da cidade – publicada em 06abril2017).

Sob a suposta intenção de combater a doutrinação ideológica marxista e a doutrinação de gênero, o movimento Escola sem partido pretende impor a neutralidade dos professores em questões políticas, religiosas e ideológicas. A proposta fere, obviamente, vários princípios da Constituição: a liberdade de opinião, a liberdade de cátedra, o direito à pluralidade de ideias e de propostas pedagógicas no ambientes de ensino.
Artigo publicado no site do movimento Escola sem partido nega aos professores a condição de educadores e os reduz a mera função de “transmissores de conhecimento”. Vamos a alguns exemplos. Lecionei durante quase 10 anos. Eu pergunto: ao tratar, em sala de aula, da história brasileira, como permanecer neutro em faze da evidência de que o nosso país foi o último a abolir o trabalho escravo no mundo e das consequências históricas de tal fato? Joaquim Nabuco, o grande líder abolicionista, dizia: “O problema não é abolir a escravidão; o problema é abolir a obra da escravidão”.
Como se manter neutro diante da constatação de que Hitler se inspirou na estatuária grega para formular a confusa concepção própria de eugenia, de raça supostamente pura, que desembocou na tragédia da cremação de milhares de judeus durante o nazismo?
Ainda bem que a proposta aprovada pela Assembleia Legislativa de
Alagoas foi brecada no STF pelo ministro Luís Roberto Barroso. No fundo, o Escola sem partido tenta censurar o debate sobre questões contemporâneas e históricas em sala de aula,. Uma escola sem partidos forma cidadãos destituídos de consciência crítica, cidadãos alienados, que votam em políticos corruptos, como a maioria que compõe o Congresso Nacional. Políticos que, mesmo sob a  acusação de recebimento de propina, ainda têm o desplante de cometer novo delito ao legislar projetos em causa própria para anistiar seus crimes.
Com suas artimanhas e abuso de poder, eles poderão livrar-se da punição do Judiciário, mas jamais escaparão do julgamento da História. Aparecerão em todos os compêndios na condição e ladrões, de autores de falcatruas, de meliantes de colarinho branco, de articuladores da corrupção sistêmica.
                Escola sem partido não forma um Gilberto Freyre, uma Cecília Meirelles, um Henfil, uma Nise da Silveira, um Betinho, uma Clarice Lispector, um Joaquim Nabuco, um Oscar Niemeyer, um Glauber Rocha, um Villa Lobos ou um Caetano Veloso. Todos eles eram brasileiros críticos, rebeldes, inventivos, insubmissos.
Escola sem partido formata uma legião de cordeirinhos manipulados ou de lobos intolerantes, ignorantes, dogmáticos e ferozes. É um projeto policialesco de desqualificação e criminalização dos educadores. O professor não é um transmissor de conhecimento: ele é a alma da educação e precisa ser respeitado, valorizado e dignificado.
Só assim formaremos cidadãos inteligentes, decentes, generosos, tolerantes, humanista, solidários, livres, conscientes de direitos e deveres, capazes de se situarem na complexidade da aldeia global em que vivemos.  Cidadãos vacinados contra os fundamentalismos, cidadãos que não se deixem manipular por demagogos, cidadãos que jamais votem em corruptos de carteirinha, pós-graduados e diplomados. A ignorância é uma fonte inesgotável do surrealismo.

1. Pesquise o significado das palavras abaixo, encontradas no texto.
1. Doutrinação.
2.       Marxismo.
3.       Ideologia.
4.       Constituição.
5.       Cátedra.
6.       Pedagogia.
7.       Abolir.
8.       Movimento abolicionista.
9.       Eugenia
10.    Alienado
11.    Consciência crítica.
12.    Propina.
13.    Falcatruas.
14.    Corrupção sistêmica.
15.    Insubmisso.
16.                       Dogma
17.                       Humanismo
18.                       Aldeia global.
19.                       Fundamentalismo
20.                       Demagogia.
21.                       Surrealismo.


2. Faça uma biografia das personagens abaixo;

1.       Joaquim Nabuco.
2.       Hitler.
3.       Gilberto Freyre.
4.       Cecília Meirelles.
5.       Henfil.
6.       Nise da Silveira.
7.       Betinho.
8.       Clarice Lispector.
9.       Oscar Niemeyer.
10.    Glauber Rocha.
11.    Villa Lobos.
12.    Caetano Veloso.

  


Cantinho da História 99: Casa-grande & senzala e a identidade brasileira

Gilberto Freyre - O que é o Brasil?

TV Câmara: 'Diálogo com Joaquim Nabuco'

Abertura TV Glauber Rocha 1979

Entrevista com Glauber Rocha

Ciência e Letras - Nise da Silveira

'Mudar o país', por Herbert de Souza, o Betinho



BETINHO

Herbert José de Souza, mais conhecido como Betinho, foi sociólogo e ativista de direitos humanos. Sua militância começou na adolescência, na Ação Católica, em Belo Horizonte. Na UFMG, foi um dos fundadores da Ação Popular (AP). Depois de formado, engajou-se na luta pelas reformas de base do governo João Goulart.
Betinho resistiu ao golpe de 1964 e à ditadura que se instalou no Brasil. Quando a repressão se intensificou, partiu para o exílio, em 1971. Morou no Chile, no Canadá e no México. No fim dos anos 1970, a volta de Betinho, o irmão do Henfil, virou marca da campanha da anistia por causa da música “O bêbado e a equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco. Betinho retornaria ao Brasil em 1979 e criaria, dois anos depois, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).
Seu trabalho de maior destaque foi o projeto da Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Betinho e seus irmãos, o cartunista Henfil e o músico Chico Mário, eram hemofílicos, doença herdada da mãe.
“Meu Brasil/ que sonha com a volta do irmão do Henfil/ de tanta gente que partiu”, referência a Betinho na canção “O bêbado e a equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, lançada em 1979 por Elis Regina.

DOSSIÊ DE HISTÓRIA - ALERTA...

Galera, recolherei os trabalhos (Dossiê de História), três (03) semanas após o fim da greve, ok? não deixem para a última hora... Publicarei vários texto, até a retomada das aulas. Escolha apenas CINCO.

https://pensador.uol.com.br/frase/NjcxNzI/

Henfil: Por muito tempo, eu pensei que a minha...

Por muito tempo, eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. aí sim, a vida de verdade começaria. 

Por fim, cheguei à conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade. 
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade. 
A felicidade é o caminho! Assim, aproveite todos os momentos que você tem. 
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém. 
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade; até que você volte para a faculdade; até que você perca 5 kg; até que você ganhe 5 kg; até que seus filhos tenham saído de casa; até que você se case; até que você se divorcie; até sexta à noite até segunda de manhã; até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova; até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos; até o próximo verão, outono, inverno; até que você esteja aposentado; até que a sua música toque; até que você tenha terminado seu drink; até que você esteja sóbrio de novo; até que você morra; e decida que não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo... 
Lembre-se: felicidade é uma viagem, não um destino.

domingo, 2 de abril de 2017

DOSSIÊ DE HISTÓRIA - TERCEIROS ANOS - TEXTO 06 - 02 DE ABRIL DE 2017

Acorda, Brasil!
DOSSIÊ  DE HISTÓRIA - TERCEIROS ANOS  – TEXTO 06
(Rodrigo Craveiro, Jornalista)

            Somos o país da propina, do escracho, d vantagem sobre o outro, da valorização da riqueza a qualquer custo, das negociatas políticas, independentes de escrúpulos, da hipocrisia deslavada e da aversão à ética. Desse cedo, muitos de nós aprendemos a furar a fila no banco, a nos calarmos quando o troco está errado a nosso favor, a surrupiar o assento preferencial no ônibus, a ignorar as necessidades alheias. Mais tarde, permitimos trair nossos ideais com o voto de cabresto. Elegemos os nossos líderes por conveniência, não por ideologia ou após profunda reflexão sore os rumos de nossa nação. Às vezes colocamos alguém no poder à custa de falsas promessas. A consequência quase sempre é desastrosa.
            Muitos de nós, atrelados a paixões partidárias ou a arroubos ideológicos, pulverizamos o bom senso, em vez de instigarmos o próximo a se unir a nós em uma batalha pela moral na politica, preferimos lutar contra ele por pensarmos de forma diferente. Nenhum  povo desunido consegue mudar o seu destino. Somos por demais apolíticos. Enquanto a chibata desce sobre nosso lombo, engolimos o choro e a saliva e aquiescemos.
            Aceitamos que o governo pise a Consolidação das Leis do Trabalho e aprove uma polêmica terceirização que muito provavelmente saqueará empregos e projetos de vida. Nós nos silenciamos ante um projeto imoral, retrógrado e absurdo da reforma da previdência, o qual vai distanciar o trabalhador da aposentadoria, enquanto os nossos políticos vão gozar da mesma com sombra, água fresca e uísque importado, temos a cara de pau de defender a volta do regime militar quando tantas pessoas pereceram nas masmorras e no pau-de-arara da ditadura. É a torcida para que tudo dê errado no Brasil.
            Qualquer transformação somente ocorrerá com a força das ruas, com protestos pacíficos e democráticos, cujas demandas estejam expostas em agendas claras. Antes de tudo, precisamos reconhecer as distorções da política, a contaminação da corrupção e exigir profunda reforma , ainda que a mesma contrarie interesses pessoais e mesquinhos de nossos parlamentares, aferrados ao poder. Somente quando a ética e a preocupação com o bem-estar social e a consciência cidadã prevalecerem teremos condições de construir um Brasil de verdade. E de sepultar políticos e atitudes que tanto fizeram mal ao nosso país, gigante adormecido em berço esplêndido, talvez inebriado pela corrupção e pela vergonha.
(publicado em Correio Braziliense -  coluna Opinião – 20 de março de 2017 – pág. 12).

ATIVIDADES DO TEXTO.

1. Como o autor define o Brasil?
2.  A quais hábitos antiéticos estamos habituados, segundo o texto?
3. o que é a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)?
3. Defina o que é o Voto de Cabresto.
4. Como o autor vê a reforma da previdência?
5. O que foi a ditadura (regime) militar de 1964 no Brasil?
6. Quando poderemos construir um Brasil de verdade, segundo o texto?
7. O que é consciência cidadã?
8. Pesquise o significado dos termos e/ou conceitos abaixo:
A. Deslavada
B. Surrupiar.
C. Ideologia.
D. Arroubos.
E. Apolítico.
F. Política
G. Perecer.
H. Masmorra.
I. Pau-de-Arara (no texto!)
J. Aferrados.
K. Demandas
L. Ética.


DOSSIÊ DE HISTÓRIA - SEGUNDOS ANOS - TEXTO SEIS (06) 02 de abril de 2017

Acorda, Brasil!

DOSSIÊ DE HISTÓRIA - Segundos  anos  – TEXTO 07
02 de abril de 2017

(Rodrigo Craveiro, Jornalista)

            Somos o país da propina, do escracho, d vantagem sobre o outro, da valorização da riqueza a qualquer custo, das negociatas políticas, independentes de escrúpulos, da hipocrisia deslavada e da aversão à ética. Desse cedo, muitos de nós aprendemos a furar a fila no banco, a nos calarmos quando o troco está errado a nosso favor, a surrupiar o assento preferencial no ônibus, a ignorar as necessidades alheias. Mais tarde, permitimos trair nossos ideais com o voto de cabresto. Elegemos os nossos líderes por conveniência, não por ideologia ou após profunda reflexão sore os rumos de nossa nação. Às vezes colocamos alguém no poder à custa de falsas promessas. A consequência quase sempre é desastrosa.
            Muitos de nós, atrelados a paixões partidárias ou a arroubos ideológicos, pulverizamos o bom senso, em vez de instigarmos o próximo a se unir a nós em uma batalha pela moral na politica, preferimos lutar contra ele por pensarmos de forma diferente. Nenhum  povo desunido consegue mudar o seu destino. Somos por demais apolíticos. Enquanto a chibata desce sobre nosso lombo, engolimos o choro e a saliva e aquiescemos.
            Aceitamos que o governo pise a Consolidação das Leis do Trabalho e aprove uma polêmica terceirização que muito provavelmente saqueará empregos e projetos de vida. Nós nos silenciamos ante um projeto imoral, retrógrado e absurdo da reforma da previdência, o qual vai distanciar o trabalhador da aposentadoria, enquanto os nossos políticos vão gozar da mesma com sombra, água fresca e uísque importado, temos a cara de pau de defender a volta do regime militar quando tantas pessoas pereceram nas masmorras e no pau-de-arara da ditadura. É a torcida para que tudo dê errado no Brasil.
            Qualquer transformação somente ocorrerá com a força das ruas, com protestos pacíficos e democráticos, cujas demandas estejam expostas em agendas claras. Antes de tudo, precisamos reconhecer as distorções da política, a contaminação da corrupção e exigir profunda reforma , ainda que a mesma contrarie interesses pessoais e mesquinhos de nossos parlamentares, aferrados ao poder. Somente quando a ética e a preocupação com o bem-estar social e a consciência cidadã prevalecerem teremos condições de construir um Brasil de verdade. E de sepultar políticos e atitudes que tanto fizeram mal ao nosso país, gigante adormecido em berço esplêndido, talvez inebriado pela corrupção e pela vergonha.
(publicado em Correio Braziliense -  coluna Opinião – 20 de março de 2017 – pág. 12).

ATIVIDADES DO TEXTO.

1. Como o autor define o Brasil?
2.  A quais hábitos antiéticos estamos habituados, segundo o texto?
3. o que é a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)?
3. Defina o que é o Voto de Cabresto.
4. Como o autor vê a reforma da previdência?
5. O que foi a ditadura (regime) militar de 1964 no Brasil?
6. Quando poderemos construir um Brasil de verdade, segundo o texto?
7. O que é consciência cidadã?
8. Pesquise o significado dos termos e/ou conceitos abaixo:
A. Deslavada
B. Surrupiar.
C. Ideologia.
D. Arroubos.
E. Apolítico.
F. Política
G. Perecer.
H. Masmorra.
I. Pau-de-Arara (no texto!)
J. Aferrados.
K. Demandas
L. Ética.


Dossiê de História. Data para recolhimento dos trabalhos.

Galera, recolherei os trabalhos (Dossiê de História), três (03) semanas após o fim da greve, ok? não deixem para a última hora... Publicarei seis ou sete textos. Escolha apenas CINCO.

Dossiê de História. Segundos anos – texto 06 – 02 de abril de 2017

Dossiê de História.
Segundos anos – texto 06 – 02 de abril de 2017
A ditadura da imagem.
DIOCLÉCIO CAMPOS JÚNIOR – Médico, professor emérito da UnB.

A sociedade do século atual deprecia tanto a linguagem falada quanto a escrita. A leitura torna-se raquítica, insignificante. Consolida-se o idioma da imagem, poderoso instrumento das forças dominantes da nova era. Prevalece como complexo artifício virtual utilizado para driblar a vigilância da consciência das pessoas, alojando-se, incólume, nas profundezas do inconsciente. É a estratégia eficaz para a padronização comportamental pretendida.
Nos idos tempos da construção de um processo civilizatório qualificado, esboçava-se a perspectiva de surgimento dos valores realmente humanos. Fortaleceram-se a escrita e a leitura. A imagem, naquela época, era a expressão da criatividade artística nas modalidades da pintura e da escultura. A produção de livros históricos, filosóficos e literários expandiu-se fortemente graças a talentos intelectuais extraordinários. Ocorreu o mesmo com a música, reconhecidamente clássica, que conferia melódica riqueza e calava fundo nas entranhas da alma de então.
O Livro é uma das invenções mais diferenciadas de todas as épocas. Os textos escritos despertam distintas interpretações, quando lidos. De fato, o leitor possui tanta ou ás vezes, até mais criatividade do que o autor. Um personagem de determinado romance tem o perfil construído originalmente não só por quem escreveu o livro, mas também por pessoas que procedem à sua leitura. Em outras palavras, a linguagem escrita é o estímulo eficaz que enseja a reflexão crítica e original do leitor. Corresponde a uma produção cultural que se identificas com a liberdade de expressão enriquecida pela pena capacidade interpretativa. Os escritores que interagem com o público, durante as chamadas feiras do livro, impressionam-se ante a bela energia criativa despertada pela leitura. A escrita respeita a diversidade potencial da mente humana. É a substância estruturante ao ato de pensar, livre dos recursos televisivos concebidos para inescrupulosas manipulações que exterminam a liberdade de pensar.
A banalização do universo intelectual de cada indivíduo tem contribuído para o desaparecimento do projeto civilizatório da humanidade. Infelizmente, o avanço tecnológico, definido como progresso, vem promovendo verdadeira devastação do território educacional em que começavam a ser construídos os valores ético, morais, estéticos e artísticos de uma nova era da história da humanidade. Nesse tétrico contexto, prospera a força da imagem virtual como componente dotado de elevado potencial de contágio e contaminação, que tem sido a mais potente ferramenta comunicativa a serviço dos interesses dominantes, neutralizando-se a perspectiva de uma saudável evolução da sociedade humana. Trata-se de manobra destinada a padronizar mensagens visuais, criadas a fim de seduzir toda uma população em benefício dos objetivos econômicos que comandam o espetáculo.
A imagem virtual escapa à análise reflexiva e consciente de cada pessoa. Produz igual impacto em todos aos que a veem. Trata-se ignóbil mecanismo feito para iludir e explorar os cidadãos, bem diferente da linguagem escrita. É o monopólio que subordina a inteligência alheia. Gera a estratégia que inunda o inconsciente com cenas de transbordante violência, estampadas em guerras, bombardeios, massacres, assassinatos das mais distintas formas, armas de fogo transformadas em brinquedos para crianças, propagandas enganosas de bebidas alcóolicas, carros circulando por espaços paradisíacos, produtos de beleza, nutriente, roupas e calçados, filmes de terror, erotização incessante.
Os resultados são rentáveis para os empreendedores. Equipamentos bélicos e armas de fogo nunca foram produzidos e vendidos em tão larga escala. O assassinato campeia solto. Automóveis ocupam os espaços urbanos de forma absurda. Tênis, bonés, calças jeans, tatuagens e mochilas uniformizam populações inteiras. O sexualismo invade os locais públicos. A obesidade toma conta dos perfis humanos.
A comunicação de hoje é feita por meio de encenações bem editadas, coincidentes com a finalidade gananciosa a que se destinam. Os livros são deveras desvalorizados. Pouca gente entende o que lê. A maioria é vítima do analfabetismo funcional. A civilização desaparece porque é incompatível com os desperdícios do consumismo escandaloso que avança mundo afora, em ritmo irreversível. A literatura se definha. A filosofia se esvai. A leitura vai ficando cada dia mais próxima da sepultura. Assim caminha a humanidade, sob a ditadura da imagem.

(publicado no Correio Braziliense, caderno Opinião, em 31.03.2017 – pág. 19)


Atividades do texto.
1. Segundo o autor, qual a estratégia usada para a padronização comportamental de nosso tempo?
2. Nos idos tempos da construção de um processo civilizatório qualificado, o que se esboçava e em quais áreas do conhecimento?
3. Por que, segundo o autor, o livro é uma das invenções mais diferenciadas de todas as épocas?
4. Quais as consequências da banalização do universo intelectual de cada indivíduo, segundo o texto?
5. Que tipo de ferramenta comunicativa, segundo o autor, está a serviço dos interesses dominantes e por quê?
6. Por que a imagem virtual escapa á análise reflexiva e consciente de cada pessoa?
7. Com quais imagens o autor diz que somos manipulados em nosso dia-a-dia?
8. Como é feita, ainda conforme o autor, a comunicação de hoje?
9. Você se considera um analfabeto funcional? Por quê?
10. Ainda segundo o autor, por que a civilização está desaparecendo?
11. Pesquise os significados e/ou conceitos abaixo:

A. Analfabetismo funcional.
B. Depreciar.
C. Raquítico.
D. Processo civilizatório.
E. Ensejar.
F. Ignóbil.
G. Erotização.
H. Sexualismo.

I. Ditadura.