domingo, 2 de abril de 2017

DOSSIÊ DE HISTÓRIA - SEGUNDOS ANOS - TEXTO SEIS (06) 02 de abril de 2017

Acorda, Brasil!

DOSSIÊ DE HISTÓRIA - Segundos  anos  – TEXTO 07
02 de abril de 2017

(Rodrigo Craveiro, Jornalista)

            Somos o país da propina, do escracho, d vantagem sobre o outro, da valorização da riqueza a qualquer custo, das negociatas políticas, independentes de escrúpulos, da hipocrisia deslavada e da aversão à ética. Desse cedo, muitos de nós aprendemos a furar a fila no banco, a nos calarmos quando o troco está errado a nosso favor, a surrupiar o assento preferencial no ônibus, a ignorar as necessidades alheias. Mais tarde, permitimos trair nossos ideais com o voto de cabresto. Elegemos os nossos líderes por conveniência, não por ideologia ou após profunda reflexão sore os rumos de nossa nação. Às vezes colocamos alguém no poder à custa de falsas promessas. A consequência quase sempre é desastrosa.
            Muitos de nós, atrelados a paixões partidárias ou a arroubos ideológicos, pulverizamos o bom senso, em vez de instigarmos o próximo a se unir a nós em uma batalha pela moral na politica, preferimos lutar contra ele por pensarmos de forma diferente. Nenhum  povo desunido consegue mudar o seu destino. Somos por demais apolíticos. Enquanto a chibata desce sobre nosso lombo, engolimos o choro e a saliva e aquiescemos.
            Aceitamos que o governo pise a Consolidação das Leis do Trabalho e aprove uma polêmica terceirização que muito provavelmente saqueará empregos e projetos de vida. Nós nos silenciamos ante um projeto imoral, retrógrado e absurdo da reforma da previdência, o qual vai distanciar o trabalhador da aposentadoria, enquanto os nossos políticos vão gozar da mesma com sombra, água fresca e uísque importado, temos a cara de pau de defender a volta do regime militar quando tantas pessoas pereceram nas masmorras e no pau-de-arara da ditadura. É a torcida para que tudo dê errado no Brasil.
            Qualquer transformação somente ocorrerá com a força das ruas, com protestos pacíficos e democráticos, cujas demandas estejam expostas em agendas claras. Antes de tudo, precisamos reconhecer as distorções da política, a contaminação da corrupção e exigir profunda reforma , ainda que a mesma contrarie interesses pessoais e mesquinhos de nossos parlamentares, aferrados ao poder. Somente quando a ética e a preocupação com o bem-estar social e a consciência cidadã prevalecerem teremos condições de construir um Brasil de verdade. E de sepultar políticos e atitudes que tanto fizeram mal ao nosso país, gigante adormecido em berço esplêndido, talvez inebriado pela corrupção e pela vergonha.
(publicado em Correio Braziliense -  coluna Opinião – 20 de março de 2017 – pág. 12).

ATIVIDADES DO TEXTO.

1. Como o autor define o Brasil?
2.  A quais hábitos antiéticos estamos habituados, segundo o texto?
3. o que é a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)?
3. Defina o que é o Voto de Cabresto.
4. Como o autor vê a reforma da previdência?
5. O que foi a ditadura (regime) militar de 1964 no Brasil?
6. Quando poderemos construir um Brasil de verdade, segundo o texto?
7. O que é consciência cidadã?
8. Pesquise o significado dos termos e/ou conceitos abaixo:
A. Deslavada
B. Surrupiar.
C. Ideologia.
D. Arroubos.
E. Apolítico.
F. Política
G. Perecer.
H. Masmorra.
I. Pau-de-Arara (no texto!)
J. Aferrados.
K. Demandas
L. Ética.


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