terça-feira, 27 de setembro de 2016

Dossiê de História. Texto cinco (05) – 27set2016 Segundos e terceiros anos.

Dossiê de História.
Texto cinco (05) – 27set2016
Segundos e terceiros anos

MORATÓRIA NA EXPLORAÇÃO DO IPÊ
(Márcio santilli, especialista em Biodiversidade – Correio Braziliense – 21setembro2016 – pág. 13 – Opinião).


                        Hoje, dia 21 de setembro, é o Dia da Árvore. Você que se emociona com a deslumbrante floração do ipê sabia que é a destruição dessa árvore abençoada que move, hoje, a exploração predatória de madeiras na Amazônia? Veja, abaixo, cinco bons motivos para você se insurgir contra essa aberração.
            1. O ipê exerce hoje o papel que foi do mogno no passado, o preço do metro cúbico do ipê está acima de dois mil dólares, o que viabiliza a sua exploração a grandes distâncias dentro da floresta. Até os anos 1990, a exploração predatória do mogno era o carro-chefe da destruição da Amazônia. Ela promovia conflitos sociais por toda a região e a abertura de estradas clandestinas e a invasão de Terras Indígenas, Unidades de Conservação, assentamentos de reforma agrária e propriedades rurais.
            Depois de seguidas campanhas, o governo federal decretou uma moratória na exploração do mogno e, em 2003, ele foi incluído na lista de espécies ameaçadas da Convenção sobre o Comércio internacional de Espécies Ameaçadas (CITES). Com isso, passou a haver maior responsabilidade e controle sobre o comércio do mogno pelos países produtores e consumidores, o que reduziu a exploração e o contrabando e valorizou a exploração por projetos legais e sustentáveis.
            2. A exploração do ipê viabiliza a exploração ilegal de outras espécies florestais, a infraestrutura financiada pelo alto valor comercial do ipê torna possível a extração de outras espécies madeireiras de menor valor, multiplicando o seu impacto sobre a floresta. Estudos demonstram que 78% da produção comercial de madeiras do Pará ocorre em áreas não autorizadas e que a ilegalidade chega a 90% no oeste do estado. Estima-se que a exploração do ipê é viável em 63% da extensão da Amazônia.
            3. O manejo sustentável do ipê é cientificamente impossível. Estudos demonstram que a regeneração do ipê exige muito mais tempo do que o previsto nos ciclos de manejo florestal. Mesmo nas áreas em que a sua exploração foi legalmente autorizada, não foram mais encontrados indivíduos adultos. Assim, a exploração do ipê avança para novas áreas, inclusive Unidades de Conservação e Terras Indígenas. A fragilização das suas matrizes genéticas nas florestas poderá levar a limitar sua ocorrência, no futuro, exclusivamente a áreas de plantio.
            4. A exploração do ipê transforma o chamado para a vida num chamado para a morte. Na natureza, é a deslumbrante floração do ipê que atrais os polinizadores e viabiliza a sua reprodução na floresta. Ironicamente, as empresas madeireiras também se valem da floração para mapear as árvores na floresta e derrubá-las depois.
            5. O ipê é um símbolo do Brasil. Nas suas múltiplas variedades, a espécie é nativa de quase todas as regiões do Brasil. Sua floração cativa corações e mentes e é cantada em prosa e verso, constituindo-se também num valor estético, cultural e afetivo para todo o povo brasileiro. Esse patrimônio não deve mais ser destruído impunemente. Se você deseja garantir essa benção na vida dos seus descendentes, mobilize-se já e convide outras pessoas a se mobilizarem por uma moratória na exploração predatória do ipê.

ATIVIDADES: pesquise o significado das palavras ou conceitos abaixo:
1.      Deslumbrante.
2.      Predatório.
3.      Insurgir.
4.      Aberração.
5.      Mogno.
6.      Unidades de Conservação (o que são?).
7.      Reforma agrária (o que é?).
8.      Terras Indígenas.
9.      Moratória.
10.  Sustentabilidade.
11.  Manejo sustentável.
12.  Quais são os símbolos do Brasil?
13.  Quantas e quais são as variedades de ipês?
14.  Cada turma deve ser organizar para plantar, no espaço indicado na escola, cinco mudas de ipês, de cores variadas, sob a orientação do professor de História. a turma será dividida em cinco grupos. doarei uma muda de ipê para cada grupo, bem como organizarei o preparo do terreno. o plantio será feito pela turma respectiva.


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